Mahatma Gandhi - Cap. XII - Humildade
(01/08/2009)
Uma vida consagrada a servir deve ser uma vida de humildade. Aquele que sacrifica a sua vida pelo próximo, não tem tempo para assegurar seu lugar ao sol. É preciso não confundir inércia e humildade, como se tem feito no hinduísmo. A verdadeira humildade exige uma consagração inteira a serviço da humanidade, o mais árduo esforço, a maior constância.
Deus está sempre em ação, sem um instante de repouso. Se queremos servi-lo ou chegar até ele, nossa atividade deve ser infatigável tanto quanto a sua.
A gota d''água que se separa do oceano pode encontrar momentaneamente repouso, mas a que está no oceano não conhece descanso. O mesmo acontece conosco. Desde que nos juntamos ao oceano(Deus) não mais teremos repouso e não teremos mais desejos. Nosso próprio sono é ação, pois quando dormimos estamos com o pensamento em Deus em nosso coração.
É essa atividade contínua que constitui o verdadeiro descanso. Essa agitação incessante contém o segredo da paz inefável. Tal estado supremo de total abadono é difícil de descrever, mas não está fora do alcance do homem.
Muitas almas consagradas aí chegaram e nós podemos alcançar isso também. Tal é o fim a que nos propomos no Satyagraha Ashram(1). Todas as nossas regras, toda a nossa atividade tem por fim nos auxiliar para chegarmos até lá. Se tivermos a Verdade em nós, alcançaremos isso sem perceber.
(1) A procura da Verdade, esforçando-se para colocá-la em prática.
Fonte: GANDHI, Mahatma. Cartas a ashram. São Paulo: Hemus, 1971, p.66.